terça-feira, 18 de agosto de 2009

Brincadeiras

Brincar é fazer amigos. Brincando, a criança desenvolve sua capacidade criativa, integra-se no mundo e aprende a viver.
Saber relacionar-se com outras pessoas de forma sadia requer um longo aprendizado. Em cada fase do seu desenvolvimento, a criança prepara-se um pouco mais para ser um adulto bem integrado socialmente.

Através dos folguedos e jogos, a criança aprende desde cedo a relacionar-se com o mundo, com seus semelhantes, a incorporar novas concepções e padrões de comportamento. Realiza, enfim, um aprendizado social. E isso é indispensável para que ela cresça física e, sobretudo, mentalmente.

Durante todo o primeiro ano de vida, os adultos dominam o interesse do bebê. Mas, a partir daí, as outras crianças, antes olhadas com indiferença, vão ter um papel cada vez mais importante na sua socialização. Nesse período, a criança já briga com outra na disputa de um objeto e aparecem indícios do uso social dos brinquedos. Dois meninos conseguem, por exemplo, brincar em conjunto com uma bola, rolando-a de um para outro.

No interior a criança também aprende nos grupos de brinquedo. Os meninos, construindo seus próprios brinquedos, caroços de mamona ou manga verde, com quatro pernas de palitos são transformados em bois; caixas de fósforos se transformam em carros ou casinhas.

Nas ruas, à noitinha, crianças em bandos brincam de rodas. Ai se ouvem os brincos cantados, tradicionais em todo o Brasil, apenas com algumas variações locais. São as meninas de oito a doze anos as componentes dessas rodas infantis. Os meninos quando muito novos, ainda integram esses grupos porque logo mais crescidos, preferem os seus.

Os meninos brincam de cavalinho de pau, cavalgando um cabo de vassoura. Os mais velhos preparam suas pequenas jangadas ou barcos veleiros e os lançam nas poças d’água ou mesmo no rio. À noite brincam de “manzoá”, entre outros. À tarde, à sombra de alguma árvore, brincam jogando bolinha de vidro, é o jogo da chimbra.
Há um brinquedo muito freqüente entre as crianças principalmente das zonas de brejo que é o seguinte: apanham um inseto chamado “cachimbáu”, a amarram uma linha e quando o cachimbáu voa, correm acompanhando-o.
As crianças, desde os verdes anos da vida aprendem a jogar cartas, baralho, na rua. Numa rodinha, quatro meninas jogavam baralho. Estavam jogando “três sete”.

Manzoá
Preferido pelos meninos de 10 a 14 anos, neste jogo pode-se perceber a nítida influência cinematográfica: ‘Manzoá” (mãos ao ar) – o grupo é composto de três bandidos e quatro “artistas”. Os meninos todos vão se esconder, tendo às mãos um revolver de brinquedo, comprado ou feito de um pedaço de madeira. Os “artistas” (ou “mocinhos”) tem de vencer os “bandidos” e assim que os vejam gritam: “Manzoá”.

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O mundo da criança (vários artigos) in Livro da Vida, Vol 1 - São Paulo: Abril S.A. Cultural e Industrial, 1974.
Escorço do folclore de uma comunidade – Alceu Maynard Araújo in Revista do Arquivo Municipal CLXVI – Departamento de Cultura da Prefeitura do município de São Paulo, 1962
Ilustração de Heliana Brandão
Gifs animados da Animationfactory (ver conexões)
Mapagif: AJZ

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